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A importância das mulheres no mercado de trabalho

Há décadas, mulheres vêm lutando por maior espaço e valorização dentro do mercado de trabalho. Confira depoimentos das reampers sobre o tema!

Não é de hoje que vemos mulheres ao redor de todo o mundo lutando pela equidade entre os gêneros e pelos seus direitos em diversos aspectos da vida, como por exemplo pela sua representatividade na política, na educação, pela sua liberdade de expressão, pelo seu direito de liderança e, não menos importante, pelo seu espaço no mercado de trabalho. Ao longo de décadas, diversas conquistas já foram alcançadas, mas novas questões a serem enfrentadas surgem todos os dias. E, justamente para simbolizar essa luta feminina e relembrar tudo o que ela representa, no dia 8 de março foi decretado o Dia Internacional da Mulher.

O tema da representatividade da mulher no mercado de trabalho nunca foi tão debatido quanto hoje. Desde o início do século XX, vemos profissionais das mais diversas áreas lutando pela conquista de um espaço e, até hoje, isso vem gerando enormes vitórias graças à incansável vontade das mulheres de conseguirem maior valorização na sociedade. No entanto, mesmo com o aumento da presença feminina no âmbito profissional, as diferenças entre cargos, funções exercidas e remunerações entre os gêneros ainda é bastante significativa. E é sobre isso que vamos falar hoje!

O direito do espaço no mercado de trabalho

Existem diversos motivos que fazem a desigualdade no mercado de trabalho existir, seja por razões históricas, culturais ou sociais. Ao longo dos anos, foi necessário que as mulheres passassem por inúmeros desafios para romper a cultura de que deveriam servir exclusivamente para determinadas tarefas, como as domésticas ou cuidar dos filhos.

A primeira onda do feminismo no mundo foi marcada na segunda metade do século XIX, quando na Europa e nos EUA começaram a surgir mobilizações pelo direito do voto feminino, ao estudo, à herança, propriedade privada e ao trabalho remunerado. O direito ao voto foi um dos primeiros passos a serem alcançados na era pós-Revolução Industrial, e as sufragistas – como eram conhecidas as mulheres militantes na época – passaram a questionar ainda mais a sociedade machista e a pedir que os direitos se estendessem a elas.

No Brasil, o movimento da luta das mulheres também passou por todas as três ondas e sua evolução. No entanto, foi apenas com a declaração da ONU no ano de 1975 sobre o Ano Internacional da Mulher que o cenário passou a ser mais propício à visibilidade do movimento. Os debates ganharam maior espaço e na década de 80 passou a ser uma força mais consolidada. Grandes passos foram dados a partir de então, como a fundação das Delegacias de Defesa da Mulher e a constituição do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM).

O dia 8 de março é um dia simbólico para a conscientização de todas as lutas enfrentadas pelas mulheres ao longo dos anos. As histórias que remetem à sua criação existem desde o século XIX, quando organizações femininas de operárias protestavam em diversos países da Europa e nos EUA por melhores salários, jornada e condições trabalhistas. O primeiro Dia Nacional da Mulher foi criado em maio de 1908 nos EUA, quando cerca de 1500 mulheres se manifestaram em prol da igualdade econômica e política no país. No ano seguinte, o Partido Socialista dos EUA oficializou a data no dia 28 de fevereiro, em um protesto com mais de 3 mil pessoas em Nova York.

Em 1910, uma segunda Conferência Internacional de Mulheres Trabalhistas foi realizada em Copenhague, na Dinamarca, com mais de 100 mulheres de 17 países, representando sindicatos, partidos e clubes de mulheres trabalhadoras. Nela, surgiu a ideia do Dia Internacional da Mulher por Clara Zetkin, líder do “Gabinete das Mulheres” para o Partido Social Democrata na Alemanha, e foi aprovado por unanimidade.

Desde o início de sua história, portanto, o movimento feminista foi marcado pela luta das mulheres por conquistas no mercado de trabalho. Por isso, no ano de 2010, 35 anos depois de ser decretada a existência do Dia Internacional da Mulher, a ONU criou os Princípios do Empoderamento das Mulheres, que tem como objetivo incluí-las em todos os setores da economia e em todos os níveis de atividade econômica para estabelecer uma sociedade mais justa:

 

Fonte: ONU Mulheres

De acordo com a organização, até o final de 2017, 150 empresas brasileiras assinaram esses princípios e se comprometeram a lutar pela igualdade de gêneros dentro do seu ambiente de trabalho. Nos últimos anos, a entrada da mulher no mercado brasileiro vem ganhando cada vez mais força – cerca de quatro milhões de mulheres conquistaram seu espaço, de acordo com o IBGE, e com isso, elas representam quase metade da força de trabalho no Brasil.

No entanto, hoje em dia, a defasagem de mulheres ainda representa uma grande parte do mercado e mostra que a luta contra esse fator está longe de acabar. Com a crise econômica, 75% da nova mão de obra feminina ainda está desempregada, e grande parte das que conseguiram trabalho encontram-se em situação irregular, sem proteção social.

E no mercado de publicidade?

Nas agências de publicidade, o empoderamento feminino também é uma pauta cada vez mais frequente. Conhecido por ter sempre homens em cargos de liderança, o cenário está começando a ser favorável a mudanças – já que, agora, mulheres ocupam 26% de espaço na criação, sendo que em 2015 o índice era de 20% entre as 30 maiores agências do país.

De acordo com pesquisa realizada pela Meio&Mensagem entre 2018 e 2019, apesar do número de mulheres presentes no setor criativo ainda ser baixo, seu crescimento foi significativo nos últimos anos. Além da maior presença feminina, no final de 2015 havia apenas quatro agências com mais de 30 mulheres na criação. Agora, esse número aumentou para dez agências.

Nas funções de liderança, a presença de mulheres era de 6% em 2015, e agora subiu para 14%. Das 30 empresas entrevistadas, foram confirmadas 180 profissionais de criação em funções de liderança, presidentes, vice-presidentes ou diretores – e, desse total, apenas 26 são mulheres.

De acordo com pesquisa realizada pela Axxon Media em 2017 com quase 300 profissionais de marketing sobre gêneros na indústria, é possível notar que algumas mudanças já estão acontecendo no setor. A diferença entre gêneros caiu no nível júnior, mas homens continuam dominando cargos sênior – sendo 59.8% homens e 36.8% mulheres – além de homens ainda terem duas vezes mais chances de serem CEOs ou diretores das empresas, e 63% delas terem o cargo mais alto já ocupado por um homem. Além disso, 62% das mulheres respondentes acreditam que tiveram a sua carreira afetada em algum momento por terem filhos, contra apenas 24% dos homens.

Graças a esses números, podemos notar que o mercado ainda possui grande defasagem entre os gêneros. Por isso, de acordo com depoimentos das mulheres da Reamp, a luta feminina para cada vez mais conquistas e valorização no mercado de trabalho e em qualquer setor não pode parar agora:

Depoimento das profissionais:

Bárbara Altebarmakian: “Ainda é muito difícil ver mulheres em cargos de confiança ou liderança no mundo da publicidade e em outros meios. Hoje em dia, sinto que ainda estamos dando passos pequenos para que isso aconteça, mas já existe um espaço para que esses passos sejam dados. No entanto, já presenciei muitas mulheres que falam com propriedade sobre diversos assuntos, mas que não são valorizadas, até mesmo em reuniões ou no dia a dia. Eu mesma já estive em reuniões em que eu era a única mulher da sala e me senti coagida em dar minha opinião ou falar de algum assunto, sentindo que isso poderia ser ridicularizado ou diminuído! As vezes pode não ser algo tão escancarado, mas está tão inserido no dia a dia dos homens e até mesmo de outras mulheres, que os mesmos nem percebem! Temos muito o que caminhar, aprender e conquistar.” 

Mayara Menoni: “Nos dias de hoje as mulheres ganharam muito espaço no mercado, porém não têm o mesmo “peso profissional” dos homens, não são reconhecidas como deveriam… temos um longo caminho a percorrer, não iremos desistir até alcançarmos o devido reconhecimento profissional!” 

Amanda Laender: “Acredito que nosso progresso esteja cada vez maior, e é graças a nossa garra, força e persistência. A nossa luta é diária e precisamos continuá-la com ou sem medo de tantos julgamentos e injustiças que encontramos por aí. Na época em que eu tocava em banda, única mulher, sofria muito preconceito e abuso em todas as noites que tocávamos. Por parte da minha própria banda, rolava muito respeito, mas com os gerentes e público o desrespeito era quase geral. Com o tempo, muita paciência, conversa, comprometimento e mostrando competência, as coisas mudaram de figura. Claro, como dito anteriormente, a luta é diária, porém as conquistas aparecem aos poucos, não só no nosso caso por sermos mulheres, mas em qualquer caso de desrespeito por gênero, cor, sexualidade, etnia e afins… WE CAN DO IT!”

Luiza Couto: “O mercado de trabalho assim como o mundo como um todo tem aprendido bastante com a luta das mulheres, mas temos um caminho longo e árduo pela frente. Não temos nem 5% da valorização merecida, e muitas vezes do respeito merecido. A mulher muitas vezes ainda é colocada como prêmio e enfeite no ambiente corporativo… o mundo vem mudando, vem entendendo a importância fundamental do papel feminino, e aprendendo o que deveria ser mínimo. Já demos alguns passos, mas a caminhada é muito longa ainda!”

Isabella Bisordi: “Já pudemos ver, ao longo dos anos, um avanço enorme em relação à ocupação das mulheres em espaços que, antes, eram exclusivamente tomados por homens. Devemos todas essas conquistas a mulheres extremamente fortes que batalharam por elas, e agora é hora de continuarmos essa luta todos os dias. Acredito que, mesmo com muita evolução, ainda não temos o reconhecimento merecido em ambientes de trabalho e, muitas vezes, passamos por situações constrangedoras ou desagradáveis. Por isso, convido todas as mulheres a se unirem a esse movimento cada vez mais necessário para mostrarmos o nosso valor e a nossa competência! Juntas somos mais fortes <3”

Daniella Simões:Hoje é um dia que simboliza a luta da mulher, mas é só mais um dia de luta para todas as mulheres. No meio profissional então, nem se fala. Vivemos em um mundo onde a maioria ainda nos enxerga como um objeto, e que acha que o mais difícil de ser mulher é cuidar dos filhos e ficar “bonita” todos os dias. Mas nossa maior luta é estar onde quisermos e fazendo o que quisermos, sem sermos intituladas como doidas, incapazes ou fora do padrão. E qual é o padrão, afinal? A minha luta diária é mostrar para todos que eu sou, sim, capaz. A minha luta é mostrar que a filha de feirante vai, sim, ganhar o mundo que ela quiser. A minha luta é estar ao lado de todas as mulheres fazendo o exercício diário de não julgar e dar o ombro quando precisam.” – 

Josie Moraes: “Tem muita gente que não acredita que mulheres sofrem no mercado de trabalho, então aí vai um dado do Conselho Nacional de Previdência (CNP): apesar de serem mais qualificadas, mulheres ganham, em média, 72% do salário dos homens. Este é só um ponto do que o machismo provoca no mundo empresarial. O que eu faço para lidar com isso? Aponto e denuncio comportamentos que invalidam a mulher, também tento ao máximo me esquivar da famosa competição entre mulheres e a falta de sororidade. O debate é a melhor forma de conscientização de um novo mundo.”

Sabendo disso tudo, é importante que as empresas não apenas falem sobre o assunto, pois não é o suficiente. Além das empresas darem maior visibilidade para a data, é necessário também oferecerem apoio às mulheres e colocar em práticas políticas que sejam efetivas para que elas sejam valorizadas dentro do mercado.

Sem conhecimentos e ferramentas, não existe mudança. Como citado por Ken Fujioka e Lara Thomazini, do Grupo de Planejamento, em um Reamper Lab sobre a pesquisa “Hostilidade, silêncio e omissão: o retrato do assédio no mercado de comunicação de São Paulo”. Essa pesquisa foi realizada com profissionais do setor abordando assuntos como assédio moral e sexual dentro do ambiente de trabalho, que também é um tema essencial a ser discutido, já que 9 em cada 10 mulheres afirmam que já sofreram algum tipo de assédio em ambientes de trabalho no mercado de publicidade.

Como recomendado pelos especialistas, existem algumas situações práticas que podem melhorar a situação no mercado, como por exemplo: a empresa posicionar-se oficialmente sobre o assunto e declarar tolerância zero contra o assédio no seu ambiente de trabalho; criar e/ou divulgar canais oficiais de orientação e denúncias; e produzir e distribuir material de orientação sobre assédio, explicando as definições de assédio moral e sexual, bem como exemplos de claro entendimento.

Na Reamp, garantimos que as mulheres tenham seus direitos de igualdade por meio de algumas ações que já são aplicadas, como por exemplo a igualdade de salários, a criação de canais de denúncias de assédio e ser parte do programa Empresa Cidadã, que permite que funcionárias das empresas ganhem 60 dias a mais de licença maternidade com o direito de receber o seu salário integralmente – ou seja, em vez da pausa de 120 dias prevista em lei, a mulher é autorizada a interromper suas atividades por 180 dias. O mesmo acontece com a licença paternidade, que é estendida para 20 dias em vez de 5.

 

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