Mídia

Panorama das agências em 2018

Estamos passando por grandes mudanças no mercado de publicidade no Brasil. Confira pesquisa que fala sobre o perfil das agências em 2018

Não é novidade que, hoje, o cenário de publicidade no Brasil e no mundo está mudando. Estamos presenciando, ao longo dos últimos anos, um enorme processo de transformação na indústria de comunicação, já que a evolução da tecnologia permite que novos modelos de negócios tomem o lugar dos formatos considerados ultrapassados. E graças à toda essa evolução, estamos cada vez mais investindo no digital, mudamos a maneira como compramos e vendemos mídia, como coletamos e analisamos dados e, principalmente, passamos a dar ainda mais importância para a transparência.

Com isso, notamos também transformações significativas nas agências de marketing e publicidade no país. De acordo com pesquisa realizada pela Operand com mais de 650 gestores de pequenas, médias e grandes empresas, foram apresentados em seu relatório diversos temas importantes para o ramo hoje em dia, mas a ênfase em gestão administrativa é o fator mais relevante.

É possível, hoje, traçarmos um novo perfil das agências de publicidade – como foi feito pela pesquisa durante 2018 – e tendências e perspectivas de mercado para os próximos anos. Alguns pontos observados chamam atenção, como por exemplo: grande dificuldade de prospectar, gestores atuando diretamente no planejamento, salários em queda, operações cada vez mais enxutas, o fee mensal ainda imperando, comissões e honorários se mantendo em grandes empresas e aumento do saldo total.

 

Aumento de novos negócios e dificuldades no gerenciamento das empresas chamam atenção

O crescimento de agências novas no mercado e com poucas pessoas chama a atenção, já que 59% das empresas estão na fase de operação – que trata-se da organização e melhor gerenciamento de seus processos – enquanto 18% possui gestão estratégica – e geram relatórios para tomadas de decisão. Ao mesmo tempo, 61% dos gestores ainda está na primeira experiência em uma empresa própria, 22% já tiveram outras empresas na área de comunicação e 17% já tiveram outras empresas em outras áreas de atuação.

Apesar dessa proliferação de novos negócios, apenas 33% dos gestores afirmam dedicarem muito tempo para o próprio negócio. Essa pequena porcentagem pode estar diretamente ligada à diversas outras atividades que são exercidas pela mesma pessoa hoje, como planejamento – mencionada por 75% dos entrevistados, atendimento (72%), financeiro/administrativo (54%), entre outras, que ocupam grande parte do seu dia a dia. No entanto, é essencial que exista um equilíbrio entre todos esses processos para que a empresa possa obter bons resultados.

As maiores dificuldades de gerenciamento nas empresas são as mesmas para médias e grandes empresas do interior e da Capital. Entre elas, podemos destacar problemas na produtividade da equipe ou individual (como apontado por 62% tanto de empresas do interior quanto da Capital), dificuldade na prospecção de novos clientes (55% e 56%, respectivamente) e mensuração de resultados (53% e 50%), entre outras.

Como pontuado pela própria pesquisa, a produtividade da equipe está relacionada à um bom fluxo de trabalho dentro da agência, levando em conta o tamanho da empresa e o cargo de cada colaborador. Apesar de não estar muito presente no setor hoje, é importante que padrões de processos sejam definidos para que, assim, a gestão seja melhor elaborada e impacte positivamente também na produtividade de toda a equipe.

 

Como é realizada a gestão dentro das agências?

Atualmente, a maneira como é feita a gestão de pessoas e salários dentro das agências também passou por mudanças significativas. A média de salários está em queda em relação aos últimos anos e, em médias e grandes empresas da Capital, é possível observarmos um grande aumento no contrato de pessoas pelo regime “PJ” – chegando à até 49%.

Já em relação à gestão do relacionamento com o cliente, o resultado não é tão surpreendente em relação aos outros anos: o fee mensal fixo continua representando maior parte do modelo comercial adotado pelas agências do Brasil – chegando à 64% em médias e grandes empresas da Capital. Este formato necessita de regras bem estabelecidas, mas permite uma relação maior entre o cliente e a agência.

Diante deste novo perfil traçado nas agências do Brasil, podemos também debater sobre perspectivas de mercado como medidas que ajudem a minimizar os impactos negativos da instabilidade econômica enfrentada, como aumento da força de prospecção (44%) e tentativa de criar novas alternativas de receita (26%).

Apesar do fee mensal ainda estar em primeiro lugar, este ano também pudemos ver que em grandes e médias empresas da capital, o formato de comissões e honorários ainda se mantém em 11%. No entanto, a grande vantagem é que a receita proveniente desse formato se manteve em 32% dessas empresas, ou até mesmo aumentaram em 29% delas.

É certo que, nos próximos anos, iremos passar por diversos novos desafios no mercado de publicidade e, consequentemente, na gestão das agências do setor. No entanto, podemos notar também que grande parte dos gestores pretende investir na melhoria da sua gestão interna – 54% em grandes e médias empresas da Capital e 58% no interior. Além disso, o saldo financeiro de 2018 em relação à 2017 aumentou nas empresas de todos os formatos – alcançando 62,5% -, o que nos mostra um cenário cada vez mais promissor de reestruturação do mercado.

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