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Reamper Lab #35 – O que aprendemos no RD Summit 2018?

Cristiane Gomes, Tiago Soncini e Carlos Durão contaram um pouco do que rolou no maior evento de marketing digital e vendas da América Latina

No Reamper Lab dessa semana, Tiago Soncini, diretor da Reamp Academy, Cristiane Gomes, da nossa equipe de AdOps e Carlos Durão, da nossa equipe de Business Intelligence, contaram um pouco do que viram no RD Summit 2018, o maior evento de marketing digital e vendas da América Latina, que aconteceu em Florianópolis nos dias 8, 9 e 10 de novembro. Para saber ainda mais detalhes sobre o que rolou por lá, confira a nossa cobertura dos três dias no blog!

Com mais de 150 palestrantes e 10 mil participantes, foram abordados diversos temas durante as atividades, englobando áreas como empreendedorismo, negócios, marketing, Inbound, SEO, mídias sociais e vendas. De acordo com Carlos, foram 100 horas de palestras em três dias de evento, que se dividiram em 13 trilhas diferentes categorizadas pela própria Resultados Digitais:

 

 

Ainda segundo o especialista, a maioria esmagadora de palestras abordavam o assunto de vendas – 26% delas possuía a palavra no título:

 

 

Mas o que foi visto, afinal, pelos nossos especialistas no evento?

Cristiane contou um pouco sobre a palestra que assistiu com Marcelo Toledo, diretor de engenharia da Nubank, que falou sobre inovação e como, muitas vezes, ela pode ser bem mais simples e barata do que se imagina. Para provar o seu ponto, citou um termo utilizado originalmente em operações militares, mas que hoje também se aplica nos negócios: OODA LOOP, onde “quem tem o ciclo mais rápido, vence”. Esse ciclo, por sua vez, é um modelo que abrange quatro pontos que apoia uma tomada de decisão rápida, eficaz e proativa:

1. Observar (coletar informações por meio de diversas fontes disponíveis);

2. Orientar (analisar as informações coletadas e aplica-las na realidade do seu negócio);

3. Decidir (determinar qual será o curso da ação);

4. Agir (implementar a decisão de maneira efetiva).

A Netflix, por exemplo, é uma empresa que utilizou o termo ao observar a oportunidade de disponibilizarem filmes em uma plataforma streaming, sem que as pessoas precisassem se deslocar para alugar e devolver na locadora. Em seguida, notaram que somente os vídeos na internet não bastavam, e então passaram a produzir conteúdos originais para lidar com a concorrência. A utilização desse termo, portanto, precisa estar presente o tempo todo dentro de um negócio, ou senão ele pode acabar ficando para trás.

Marcelo explicou que na Nubank, especificamente, o objetivo é sempre fazer algo diferente para atender o cliente da melhor maneira possível – um exemplo é o horário de atendimento de um banco tradicional, que já não faz sentido para o cliente atual. Por isso, os especialistas começaram a analisar suas possibilidades, e a primeira coisa que definiram foram os valores e a cultura da empresa.

Sempre que um produto for lançado, o seu propósito deve ser explicado anteriormente, e assim foram definidos os quatro principais pilares para a Nubank: ser uma empresa de tecnologia; focar no design (não apenas na aparência da marca, mas pensando na experiência do usuário); Data Science; e Customer Experience (com o objetivo de se tornarem a melhor empresa em questão de atendimento ao cliente). Diante desses pilares, a empresa já possui diversos cases de sucesso no atendimento e, para o especialista, o que faz a diferença na cultura é que todos possuem voz para dar ideias e falarem o que desejam.

Ainda ressaltando a importância da cultura de uma empresa e da experiência do cliente, Cristiane falou também sobre a palestra que assistiu com a empresa Crescimentum, de Arthur Diniz, sobre crescimento exponencial. O termo refere-se à necessidade das empresas de, ao fazer um teste com determinado produto ou serviço que não funcionou, continuarem pensando em ações diferentes. “As ações precisam ser rápidas em um momento onde as empresas estão crescendo exponencialmente”, resumiu Cristiane. “Isso pode ser feito, como Arthur explicou, personalizando o serviço, empoderando as pessoas, estipulando objetivos ambiciosos e aumentando a sua rede”. E é essa cultura forte que, para o especialista, vai fazer uma empresa funcionar da melhor maneira possível.

 

 

O especialista citou, também, o Modelo de Stanford – que trata-se de um ciclo para transformar o negócio em algo exponencial – e citou a Zappos, empresa que, segundo Arthur, é um case de negócio com cultura forte, por possuir excelência em atendimento e valorizar o aculturamento dos funcionários – já que, para eles, as pessoas engajadas com a cultura são promovidas mais rapidamente:

 

 

O especialista citou, também, 7 segredos da cultura exponencial:

 

 

Tiago Soncini também compartilhou sobre algumas palestras que assistiu durante o evento. Falou sobre Nina Silva, fundadora do Movimento Black Money (MBM) e executiva com 16 anos de experiência. A especialista abortou temas relacionados à tecnologia e sobre movimentos fundados por ela – o MBM, por exemplo, tem como objetivo desenvolver o ecossistema afroempreendedor e estimular jovens negros a inovarem e empreenderem, além da Afreektech, braço educacional gratuito de tecnologia focado em mulheres e meninas negras.

Nina explicou que percebeu que a comunidade negra estava conformada com o sistema atual, e trouxe dados para mostrar a diferença que ainda existe no mercado de trabalho:

 

 

Como ainda existem inúmeras discrepâncias na pirâmide, a especialista viu a necessidade do surgimento de movimentos como o Black Money, para mostrar que precisa existir um ecossistema de dentro para fora da comunidade, fortalecendo a economia como um todo. “Estima-se que a população negra brasileira movimentou R$ 1,5 Tri em 2017. Se esta população representasse um país, estaria no G20 do consumo mundial”, ressaltou.

 

 

Já a palestra de Suelen Marcolino, Corporate Solutions Consultant do Linkedin, teve como tema principal a importância da diversidade no networking. De acordo com a especialista, quando pensamos em networking, muitas vezes pensamos no que estamos oferecendo e no conteúdo que geramos, esquecendo que ele é uma via de mão dupla e não pensamos no que estamos recebendo. “O quanto você está preocupado em receber? Gerar é muito importante para uma marca como profissional, mas receber também é. Você está aprendendo? Isso tem muito a ver com a sua rede de conexões”, explicou Suelen. “Falar sobre diversidade e aliar com a sua rede é entender o quanto você está sendo impactado por ideias diferentes. A diversidade não traz apenas uma aparência diferente, vai muito além disso, e quando você traz esse fator para o seu networking, é muito evidente o impacto que pode fazer nos seus conteúdos e na sua carreira profissional, já que traz novos insights e pontos de vista”.

 

 

“É importante que a sua rede tenha pluralidade, multiplicidade e diferença. Precisamos aprender a olhar para aquela ideia e ver o que ela tem a dizer, é uma questão de empatia”, ressaltou Tiago. “A tendência é sempre nos conectarmos com mais do mesmo. Quanto mais diverso e mais plural for, melhor. É importante exercitar isso e mostrar que está realmente ouvindo o outro, pois isso nos engrandece”.

 

Quais conclusões podemos tirar desses aprendizados?

A partir das palestras assistidas, os especialistas nos trouxeram uma reflexão sobre o viés inconsciente. De acordo com Antônio Pereira, neurocientista da UFRJ, “o viés implícito, ou inconsciente, é uma relíquia universal e indesejada desse passado ancestral, e pode se revelar de maneira insidiosa em várias situações cotidianas como, por exemplo, durante o favorecimento implícito de raça e gênero na contratação de alguém”.

Ou seja, muitas vezes, nos deparamos com algumas questões em que o nosso viés e a maneira como lidamos com ela é a que está no nosso inconsciente – e percebemos isso quando trazemos o pensamento para a consciência, parando para refletir sobre as nossas ações. Além disso, foi pontuado que existem diversos vieses inconscientes:

  1. Afinidade: gênero, raça, idade, histórias de vida, entre outros.
  2. Percepção: reforçamos estereótipos que são definidos por influência da sociedade ou cultura.
  3. Confirmatório: procuramos informações que confirmem as nossas hipóteses iniciais e rejeitamos as contrárias.
  4. Efeito de halo/auréola: exibimos uma preferência inconsciente com apenas uma informação positiva ou agradável da pessoa, o que nos leva a avaliar positivamente todo o restante das informações.
  5. Efeito de grupo: seguimos o padrão de um grupo. A pressão que é colocada pelo grupo pode fazer com que todos busquem convergir com a mesma ideia.

Quando começamos a refletir sobre esses vieses e como eles estão presentes na nossa vida, é quando finalmente vamos “sair da bolha” e obter maior pluralidade e diversidade de ideias. “Levem tudo isso para o micro, para o dia a dia, e pensem mais sobre essas questões. Quando estiverem em grupo, estejam sempre conscientes de que podem, sim, falar o contrário do que todos acreditam”, pontuou Tiago.

 

 

 

 

Obrigada pela participação de todos, pessoal!

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