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RD Summit 2017 – Romero Rodrigues, do Buscapé

Sócio-diretor contou sobre a trajetória da empresa

“Movido por pessoas que vieram para vencer”. Essa era uma das frases estampadas na parede da primeira sede do Buscapé, empresa da qual Romero Rodrigues, um dos palestrantes do terceiro dia de RD Summit, é sócio diretor. O especialista também é managing partner da Redpoint Eventures, primeiro fundo Brasileiro de VC criado em sociedade com firmas do Vale do Silício e co-fundador da Buscapé Company, serviço de comparação de preços.

O Buscapé nasceu e morreu algumas vezes. O início e seus primeiros anos foram de grandes desafios para a empresa, e principalmente para seus sócios. Um dos principais varejistas da época ameaçou processar a empresa se ela não tirasse seus preços da plataforma. Após quase dez dias de análise, decidiram manter os preços.

Algum tempo depois, a empresa começou a crescer e evoluir suas parcerias, atingindo seu ponto de equilíbrio. O ano de 2008, segundo o especialista, pode ter sido um dos principais momentos do Buscapé. Ao visitar diversas áreas, Romero relatou ter se preocupado com a falta de cultura da empresa, que cresceu e esqueceu de criar um processo que passasse seus valores para os colaboradores.

Criar a Buscapé Company, marca nova que acomodava todas as outras marcas, foi extremamente caro. A missão, os valores e a visão da empresa foram escritos, integrando todas as áreas e empresas dentro de um prédio na Avenida Paulista. Essa cultura passou a englobar 16 negócios e mais de 47 fundadores.

Antes, o modelo existente era o desenho de uma organização, com um modelo criado para otimizar eficiência e focar no lucro. Hoje, existem modelos de eficiência para maximizar a inovação e propósito de uma empresa. O especialista acredita ser extremamente importante criar um mantra e continuar compartilhando e fomentando a cultura e a visão da empresa.

Um grande balizador da empresa sempre foi o NPS (Net Promoter Score). Nesse momento, a empresa possuía 35.000 lojas, e acreditava que quanto mais, melhor. No entanto, quando começaram a conversar com os seus usuários, entenderam que o número não era relevante e houve um corte para 5.000 lojas. O NPS da empresa, que antes era 15, saltou para 70, em um mercado onde a média era 40.

Depois do Buscapé, Romero procurou investir em outras empresas. Começou a se envolver com a Endeavor e se tornou membro do conselho de diversas empresas, procurando cada vez mais maneiras de começar ações de investimento.

O que mudou nesses últimos 20 anos?

Muita coisa. Algumas ficaram mais fáceis, e outras mais difíceis. Pela primeira vez, a tecnologia não é mais uma barreira de entrada. Antes, tudo era muito custoso e exigia uma equipe, tempo e muita dedicação para desenvolver cada uma das plataformas. “É como se você tivesse que construir um prédio e construir sua própria tomada, seu próprio cimento e seu próprio elevador”, exemplificou.

Hoje, podemos ver a democratização da startup. É mais fácil criar uma startup, mas ao mesmo tempo, a competitividade aumentou drasticamente. Para conseguir se diferenciar e fazer acontecer, é necessário ter um modelo de negócios único e uma forte cultura, envolvida por talento e pela capacidade de executar.

Para atrair e reter talentos, é necessário que tenham autonomia, maestria, possam ter uma troca de aprendizados ou tenham um propósito para deixar uma marca ou para melhorar o mundo. “Você está oferecendo isso ao seu time?”

Mas porque quis ser um investidor de startup? É dar de volta aquilo que recebi? É ter um retorno financeiro?

Romero considera que é para se manter relevante.

Hollywood e Vale do Silício, por exemplo, têm como grandes investidores pessoas que já foram bem sucedidas, já conquistaram seu espaço e legado. Eles ajudam muitas pessoas que possuem ideias, mas não fazem. Se sua ideia não for go-to-market, ela não é sua, é de quem fizer.

O especialista deixou também a seguinte reflexão: “o que estamos construindo de verdade?”

Grandes corporações estão tentando entender as startups e o modelo como elas funcionam, a velocidade de inovação, o modelo de cultura e a forma como atuam. Hoje em dia, não há mais espaço para perder oportunidades, e sim a possibilidade de criar um novo país, deixando um Brasil muito melhor para as gerações que estão por vir. E, para Romero, existem duas maneiras de fazer isso: com a educação e com o empreendedorismo.

Fonte: Resultados Digitais

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